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O passado no presente
O papel do Instituto da terra é manufaturado com organismo
vegetais naturalmente descartados pela nossa sociedade como folhas
de bananeira, coroa de abacaxi, bagaço de cana-de-açúcar, cascas
de cebola, grama, flores, folhas de milho... puros ou associados
com aparas de papéis industriais e/ou comerciais, post consumer
waste - classificação dada pela EPA (Environmental Proction
Agency - EUA) para produtos que são fabricados com lixo - papéis
de escritório e de residências, que já foram impressos e utilizados
de alguma forma. Aproveitamos o usado para fazer o novo.

A
matéria-prima usada para a produção do papel depende do que o
meio ambiente pode oferecer em seu descarte natural. O ciclo
dos vegetais é respeitado e o organismo "morto" é naturalmente
coletado antes de seu sepultamento. Usamos aquilo que ninguém
quer.

Respeitando a característica de cada vegetal, o seu "estado
de espírito" é passado para o papel. São fibras celulósicas
se emaranhando desordenadamente, como os fios de um tecido, em teares
rústicos e manuais. Instrumentos e métodos para a extração da celulose,
conduzem a produção de maneira natural, do verdadeiro papel.

Os papéis são feitos à mão segundo a
milenar arte chinesa, pelos detentos do Presídio Masculino
de Florianópolis no projeto Cidadania em Cadeia. Possuem
a beleza da esperança social e a expectativa da transformação
ambiental.
Resgatando um modo de produção intermédia,
o processo produtivo abrange uma seqüência complexa com 36 operações
delineadas para transformar uma imensa variedade de matérias-primas
numa natureza visível, resultando em folhas densas, compactas e
altamente resistentes com corpo e textura. Um papel com nova e inusitadas
beleza e com delicadas qualidades. Esta técnica oferece uma variedade
enorme de texturas especiais com uma infindável gama de cores naturais.
Desde a coleta do material até a folha acabada, assim como os produtos
resultantes são feitos exclusivamente à mão.
Um encantamento mágico, pois apesar de ser esta uma manifestação
dos tempos remotos, se trata também de uma expressão extremamente
moderna de design, onde se acentua a presença marcante do valor
humano.
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